08 agosto, 2010

Sobre Sonhar

Raramente falo deles, dos meus sonhos. Mas fazem parte de mim como qualquer outra parte do meu corpo. São-me tão reais quanto isso, como se fossem físicos e palpáveis. Uma grande parte de mim são sonhos, uns que me fazem rir quando os construo, outros que me assustam e os que me fazem alcançar objectivos claros, sem redundâncias. 
Já escrevi livros inteiros com histórias fantásticas, já proclamei poemas e vivi romances... a sonhar acordada. 
Se fosse a falar dos sonhos que tenho a dormir teria que abrir todo um novo blog, pois o meu dormir é para mim como um mundo paralelo, onde quando em depressão habito e de lá só saio para manter a sobrevivência física.

Sonhar é viver. 

Grandes amigos, soul brothers, fazem muitas vezes de âncoras entre os meus sonhos e a dita realidade. Dizem: "Não vás, não faças...." - e eu continuo a sonhar. Digo-lhes que não vou, que tenho juízo, mas muitas vezes é mentira. Mas não consigo fazer de outra maneira, se eu sonho que naquela montanha há uma margarida azul, por mais que me digam que não é possível, eu tenho que a subir e ver com os meus próprios olhos que não há lá nada. 
Tantas montanhas já subi sem que no seu topo exista qualquer flor... 
...e desço e recomeço a sonhar.


"Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram."
Carlos Drummond de Andrade

24 julho, 2010

Hospital Central - Maca y Esther



 Personagens da série espanhola Hospital Central que mantém desde há muitas temporadas (anos) uma relação com muita visibilidade na série.

Já na 19ª temporada as actrizes decidem que querem fazer outra coisa da vida, o que é completamente compreensível, e a relação mais caliente desta série vai terminar, com pena de muit@s fãs por esta península ibérica toda.
O sucesso é tal que há fóruns e várias páginas de fãs; deixo aqui  e aqui links para os foruns para quem quiser saber mais ou descobrir este encantador romance, e olhem que vale a pena ;)


Em portugal a série passa no AXN, nunca a vi de seguida, apanho episódios soltos, mas vale sempre a pena ver porque a relação delas é deliciosa e produz muitos sorrisos.

22 julho, 2010

OMD Souvenir - 1981

"Nostalgia é um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida." - Diz a wikipédia


Ouvia este música em disco de vinil da minha mãe quando era criança e das duas últimas vezes que a fui visitar, pelo caminho de regresso a Lisboa a rádio passou esta música, das duas vezes :)

08 julho, 2010

Love it!

Tolerância Zero à Homofobia

A homofobia é o novo racismo,  
os gays são os pretos do Séc XXI.

A homofobia – compreendida como a consequência psicológica de uma representação social que, outorgando à heterossexualidade o monopólio da normalidade, fomenta o desdém em relação àqueles e àquelas que se distanciam do modelo de referência – constituem as duas faces da mesma intolerância e merecem, por conseguinte, ser denunciados com o mesmo vigor que o racismo. 
Documento Fonte <- aqui

É habitual num debate ou discussão educativa sobre a desigualdade de direitos sociais das pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo ouvir comentários que me lembram os dos racistas: "Não tenho nada contra os homossexuais mas acho que não deveriam poder casar-se, que isso é para homem/mulher", e o mesmo para o direito de adopção e afins.
Eu lembro-me de ouvir no passado, até no liceu vindo da boca de professores, dizerem que as pessoas de raça negra são iguais a nós, mas que não queriam ter um(a) como genro ou nora!

Eu nunca gostei de falsos tolerantes, aqueles que já atingiram que é socialmente mais correcto afirmar que não têm nada contra mas que na realidade sentem-se contra. E são este tipo de pessoas com as quais mais tenho que lidar, aqueles cujas piadas só sabem ser à volta da homossexualidade, gozar com fulano porque parece gay é portanto indicador que esta pessoa no seu intimo acredita que ser gay é anormal e inferior.

O discurso homófobo não se trata de uma postura ou opinião que tenho que respeitar segundo o fundamento da liberdade de expressão, não pode haver liberdade que atropele a liberdade de vida de outros. Porque então também se pode dizer que Hitller só agiu em conformidade com a sua liberdade de expressão e pensamento!
Infelizmente, pelo tempo que demorou (ou demora) uma sociedade a deixar de ter estes pensamentos em relação à raça negra, eu deverei ter de aturar isto pro resto da minha vida.

No entanto não tenho que me resignar e desistir de educar as pessoas. Porque se pessoas como eu tivessem desistido não se teria aberto mentalidades ao longo da última metade de século para a problemática da homofobia. O silêncio é amigo do racismo, homofobia e qualquer outra discriminação social. O objectivo não é obrigar as pessoas a agirem de uma forma politicamente correcta mas sim fazê-las VER que as pessoas que eventualmente gostam de outrem do mesmo sexo são, tal como os pretos, IGUAIS
É só isto, parece-me tão simples...

A simples suposição da heterossexualidade constitui, por si só, uma violência simbólica quotidiana contra aqueles que não partilham dessa sexualidade presumidamente comum e dita normal. Mas em todo o lado é presumido que se é heterossexual, e portanto nem há cuidado em ferir susceptibilidades no local de trabalho, na fila para o autocarro ou num jantar de amigos e amigos de amigos.
Uma postura homofóbica é uma ofensa, não pode haver tolerância aos homofóbicos. E não só por eles, mas pelos filhos que irão educar e que caso sejam heterossexuais terão uma educação homofóbica, e caso sejam homossexuais serão jovens em constante conflito consigo mesmos.
Quando eu discuto com um homofóbico, e não desisto dessa discussão educativa nunca, ao contrário do que se possa pensar não estou a pensar só em mim, estou a pensar nas gerações vindouras e nos futuros filhos dessa pessoa.

Quem dera à minha geração que alguém tivesse explicado aos nossos pais que a homossexualidade não é uma anormalidade.
Por tudo isto e por uma sociedade mais justa,  não me calo e não calarei.

27 junho, 2010

A importância do Amor

Há uns anitos atrás uma pessoa que me foi muito importante e me conheceu muito bem disse-me de tom muito grave que eu dava muita importância ao Amor. Que não sabia viver bem só para mim, que sem amor me perdia. Dei-lhe toda a razão, mais não fosse por uma dor de amor eu havia colocado a minha vida de pernas para o ar, havia permitido que o Amor destruísse os outros aspectos todos da vida.
Dessa importante madrugada de conversa ficou sempre a frase de que não mais deveria permitir que o amor tivese tal importância.

Ontem, por mero acaso, ao fazer a recuperação de dados de um  portátil de uma amiga dei com fotografias de cinco pessoas, cinco histórias distintas.

Foram elas que me fizeram pensar de novo a rigor neste assunto, pois as fotografias são de alguns poucos anos, e nelas algumas destas pessoas estão tão diferentes que se não as conhecesse pessoalmente até diria que eram outra gente! Os seus brilhos e sorrisos de há 5 e 7 anos atrás são tão distintos que me arrepiei, parei tudo o que estava a fazer e recostei-me na cadeira, gelada pela verdade da dedução que inevitavelmente alcancei.

Três destas pessoas estavam então apaixonadas e muito felizes pela altura das ditas fotografias.
A Teresa estava mais bonita, com brilho no olhar e uma leveza de quem nada teme, rosto cheio de energia e até traquinice.

A Pati, bem, eu já não a conheci com aquela cara que vi nestes retratos, portanto foi um choque para mim ver nela um espírito, afinal, tão livre e colorido. Lamento tanto Pati, de sinceridade. A Alex sempre me disse que eu nunca te conheci de verdade, agora vislumbro a probabilidade dessa afirmação ser verdadeira.

A Alex, a minha ex-xwoman.... para além de me custar ver que tal como as amigas referidas antes estava com uma aurea brilhante e agora já não tanto, o que me dói é o conhecimento da minha parte nisso. No coração da x-woman está agora escrito "broken by SaraChuva". Viva os anos que viver nada o remedeará. Nunca esquecerei e nem perdoarei que assim tenha sido...

Todas estas pessoas sofreram em algum momento, ou momentos, a dor do amor com acentuada gravidade, e isso alterou-as, porque nos altera, nos parte.

E pode dizer quem estiver a ler que afinal de contas é normal que ao final dos anos as pessoas já não tenham a mesma luz e vivacidade que se tinha no anos 20 e qualquer coisa e que poderá ser essa a diferença que noto nas pessoas. Mas calma com essa conclusão pois eu ainda não falei das restantes duas pessoas das cinco que anunciei.

Falta falar das A&A; juntas há 11 anos, enfrentaram muitas dificuldades, como todas nós, mas estão hoje com o mesmo ar e sorrisos de há 7 anos atrás! ESTÃO IGUAIS!!

Portanto, a conclusão é simples, já escrita por tantos poetas e compositores de outros tempos e de hoje.
A importância do amor é tal que se nota na cara retratada das pessoas, é só: fundamental.
Se nos corre bem somos brilhantes, se nos corre mal ficamos apagados.

Pessoalmente desejo não partir mais nenhum coração e às pessoas sobre as quais escrevi e ás quais dedico este post, espero que não mais lho partam.

Com sincero amor de amiga.

23 junho, 2010

Elogio à Feminilidade

Não foi o sofá vermelho em que estava sentada que atraiu o meu olhar.

Parei para ver o que brilhava Nela naquela instante; estava de jeans, uma túnica branco imaculado com genuíno remate de renda no decote. O cabelo solto e selvagem, rosto isento de artificios cosméticos e como acessórios apenas uma pulseira tigrada que dizia com as suas sandálias veranescas de onde saltavam à vista  uns pés bonitos e delicados. As suas longas mãos, das mais bonitas que já vi, terminavam em unhas pintadas de vermelho, a cor  do sofá...

Mas não era nada do que tinha vestido e menos o eram os alegorismos que usava que me tinham feito parar e olhar,  Ela reluzia femilidade pela forma de falar, de olhar, pelos trejeitos, pela delicadeza com que segurava o seu falador cigarro, pelos sorrisos e risos autênticos.

Feminilidade, há quem a tenha inatamente. Há quem a conquiste. Há quem a tente comprar e há quem nunca a alcance.

20 junho, 2010

FINALMENTE!

TERESA e HELENA

Ao fim de quatro anos, promulgada a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, Helena e Teresa conseguiram finalmente contrair casamento. Foram as primeiras



Quatro anos após a primeira tentativa frustrada, Helena Paixão e Teresa Pires transformaram-se hoje no primeiro casal homossexual a contrair casamento civil. As duas mulheres casaram na 7.ª conservatória de Lisboa.



As duas foram declaradas pela conservadora "unidas pelo casamento" às 09:45, numa sala onde estavam cerca de trinta pessoas que aplaudiram o casal e a declaração. As duas abraçaram-se e beijaram-se.

E assim fecho com muito orgulho e felicidade a categoria "Quero Poder Casar" neste blog! :)
Já Posso Casar

17 maio, 2010

Cada vez mais próximo!

Em pleno Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia e Transfobia, chegou a notícia que mais esperei nos últimos tempos:

Depois de receber o Papa e a deixar o prazo de 20 dias correr até ao final, eis que o actual Presidente da República, exmo prof Cavaco Silva, promulga o diploma que permite casamento entre pessoas do mesmo sexo!

Este era um obstáculo que eu temia, um icon de direita ter em mãos a decisão de vetar uma proposta que praticamente toda a direita votou contra. Mas surpreendeu-me pelo seu bom senso o Sr. Cavaco, pois de certo aos seus princípios de direita também não lhe agrada esta nova lei, mas apesar disso foi ao encontro de valores fundamentais da democracia e promulgou a lei, bravo!

Mas nas suas palavras lembrou que, mesmo que vetasse o diploma, este seria muito provavelmente novamente aprovado pela maioria de esquerda no Parlamento, pelo que não viu utilidade no seu veto político «numa altura de crise».

Relembro que a proposta de lei para a legalização de casamento entre homossexuais tinha sido aprovada na Assembleia da República a 11 de Fevereiro. Votaram favoravelmente o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e Os Verdes.

O Tribunal Constitucional já declarara, a 8 de Abril, que o diploma não era inconstitucional. O tribunal pronunciou-se na sequência de um pedido de fiscalização do Presidente.

O Código Civil português passa agora a definir o casamento como «o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida».

Mais informação em: Visão, Público, Diário de Notícias, Diário Iol

20 abril, 2010

Garfield - Jon's Blog