08 janeiro, 2010

1974/2010, 36 anos de luta (e ainda não acabou)

1974 A associação dos psiquiatras americanos retira a homossexualidade da lista das patologias. Em Portugal, um manifestode homossexuais é repudiado pelo general Galvão de Melo na TV: “O 25 de Abril não se fez para as prostitutas e os homossexuais reinvindicarem”.

1976 É aprovada no parlamento eleito a Constituição da República, que estabelece a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, assim como a reserva da vida íntima.

1982 É revogado o CódigoPenal (CP) de 1886, que no artigo 71º punia com “medidas desegurança -- internamento “em manicómio criminal”, “casa de trabalho ou colónia agrícola” (por período de seis meses a três anos, para trabalhos forçados), “liberdade vigiada”,“caução de boa conduta” e “interdição do exercício de profissão”– quem se entregasse “habitualmente à prática de vícios contra a natureza”, práticas essas que “agredissem” o “princípio básico da moral sexual” e “o primado da sexualidade genital e da reprodução”. Mas cria-se um novo crime (artigo207º),“Homossexualidade com menores”, punindo com prisão até três anos “quem, sendo maior, desencaminhar menor de 16 anos do mesmo sexo para a prática de acto contrário ao pudor, consigo ou com outrém do mesmo sexo”.

1989 Uma portaria de inaptidões para o serviço militar classifica como doença mental os “desvios e transtornos sexuais: homossexualidade e outras perversões sexuais” . Quem manifestar tal “desvio” é inapto.

1991 Surge o primeiro grupo organizadode defesa dos direitos LGBT. É o Grupo de Trabalho Homossexual, integrado no Partido Socialista Revolucionário, um dos partidos que virá em 1999 a unir-se no Bloco de esquerda.

1992 A Organização Mundial de Saúde retira a homossexualidade da lista das patologias.

1995 Nova revisão do CP substitui o artigo 207º pelo 175º, “Actos homossexuais com menores”. Prevê-se que “quem, sendo maior, praticar actos homossexuais de relevo com menor entre 14 e 16 anos, ou levar a que eles sejam por este praticados com outrem, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias”. Entre pessoas da mesma idade mas de sexo diferente, só há crime se houver “abuso de inexperiência”.

1996 Os Verdes propõem incluir no artigo 13º da Constituição a proibição da discriminação em função da orientação sexual. Abstenção do PS e votos contrários do PSD e do PP impedem aprovação. São criadas a associação ILGA-Portugal e o Clube Safo (associação lésbica).

1997 É publicado o despacho do Ministério da Administração Interna n.º 13/97, que declara inaptidão à admissão na PSP de “personalidades psicopáticas de qualquer tipo, particularmente anormais sexuais, em particular invertidos”. É celebrado o primeiro arraial pride no Príncipe Real, fundadada a associação Opus Gay e ocorre o I Festival de Cinema Gay e Lésbico, com o apoio da Câmara de Lisboa.

1998 É publicado o manifesto dos grupos homossexuais, com várias exigências, entre as quais a inclusão da não discriminação em função da orientação sexual no artigo 13.º da Constituição, o reconhecimento das uniões de facto e do acesso à adopção. O casamento não faz parte das reivindicações.

1999 Entra em vigor o Tratado de Amesterdão, que consagra a proibição da discriminação em função da orientação sexual . É, em Março, revogada a tabela nacional das inaptidões aprovada em Janeiro e na qual a homossexualidade surgia como “deficiência”. O provedor de Justiça declara “constitucionalmente intoleráveis” as restrições constantes nas tabelas de inaptidões do serviço militar e da PSP. É aprovada uma lei das uniões de facto, proposta pelo PS, que exclui casais do mesmo sexo.

2000 Primeira parada do Orgulho Gay desce a Avenida da Liberdade, em Lisboa.

2001 O Parlamento aprova uma lei das uniões de facto que inclui os casais do mesmo sexo, excluindo-os da adopção.

2003 O novo Código do Trabalho proíbe a discriminação do trabalhador com base na orientação sexual.

2004 A orientação sexual é incluída no artigo 13.º da Constituição, em votação parlamentar.

2005 A ILGA-Portugal lança uma petição pela igualdade no acesso ao casamento. Recolhe mais de 7000 assinaturas. O Tribunal Constitucional (TC) reputa de inconstitucional o artigo 175.º do Código Penal.

2006 Teresa Pires e Helena Paixão tentam casar-se numa Conservatória de Lisboa. Sucessivas recusas levam o caso até ao TC, onde aguarda decisão até 2009. A Assembleia da República aprova a Lei da Procriação Médica Assistida que nega acesso às técnicas de fertilidade a mulheres que não estejam a casal heterossexual (casado ou em união de facto há dois anos), especificando ainda que se trata de técnicas 'subsidiárias e não alternativas' e só possíveis em caso de diagnóstico de infertilidade. As associações Ilga e Panteras Rosa protestam contra a aprovação da lei e constitucionalistas como Vital Moreia alertam para a possibilidade de o diploma ser inconstitucional, sugerindo que o PR deveria solicitar a sua fiscalização preventiva. Cavaco promulga a lei.

2007 A revisão do Código Penal elimina o artigo 175.º e inclui, no novo crime de violência doméstica, os casais do mesmo sexo, assim como, entre as circunstâncias agravantes dos crimes, o ódio baseado na orientação sexual.

2008 A secretária de Estado Idália Moniz garante que os casais do mesmo sexo estão excluídos das candidaturas a família de acolhimento, apesar de a lei admitir unidos de facto. Decorre, a 3 de Outubro, a audição parlamentar de apreciação da petição a favor do casamento das pessoas do mesmo sexo. A 10 de Outubro, será votada a petição, assim como os projectos de lei do BE e de Os Verdes sobre o mesmo assunto, com chumbo anunciado.

2009 A 18 de Janeiro, na apresentação da sua moção para o congresso a ter lugar em Fevereiro, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro José Socrates afirma como prioridade "o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo".No dia seguinte, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, precisa: "A moção apresentada pelo secretário-geral do PS contempla a remoção das barreiras jurídicas à celebração de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Não propõe mais nada. Se o congresso aprovar a moção, a posição do PS continuará a ser contrária à adopção de crianças por parte de casais formados por pessoas do mesmo sexo".
Em Julho, o Tribunal Constitucional pronuncia-se finalmente sobre o caso Teresa Pires/Helena Paixão. Com uma decisão de três contra dois, os juízes conselheiros acordam que não é inconstitucional a norma do Código Civil que impede o casamento entre pessoas do mesmo, mas que a norma está à disposição do legislador. As mulheres anunciam recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Em Dezembro, o novo governo PS finaliza o projecto de lei, em que altera o Código Civil para permitir o casamento das pessoas do mesmo sexo, inviabilizando a adopção por casais casados de pessoas do mesmo sexo. BE e Verdes também finalizam projectos, que permitem casamento e adopção. PCP afirma ser a favor do casamento mas não da adopção. O PSD anuncia um projecto de união civil registada, sem possibilidade de acesso à adopção.

2010  A 8 de Janeiro, ocorre o debate dos quatro projectos na Assembleia da República, em simultâneo com a votação sobre a proposta de referendo apresentada por petição popular. O projecto de lei do PS é aprovado. A proposta de referendo é chumbada.

In Jugular

 

Actualizações rápidas

Nestes 6 meses eu teria aqui comentado:

- Voltei a ter perto de mim a minha querida Ana Vieira (que sempre esteve no meu coração mas longe da vista pela Europa fora)

- Abri conta no Facebook onde estou de forma activa

Sara Carvalho | Cria o teu cartão de visita


- Que finalmente parece que o Benfica pode ganhar a Liga Sagres, lol.

- Completei mais um aniversário :(

- Adquiri um fantástico veículo clássico, um Peugeot 205



- E finalmente vejo avista-se a curto prazo a vitória da luta da legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo

Retour, Return, Regresso

Este blog volta ás lides.

Depois de 6 meses de ausência há muito para comentar e reclamar ;)

Finalmente está em debate politicamente o Casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, um sonho perto se ser alcançado.

Sonho com a possibilidade de poder casar desde menina. Luto por esse direito desde muito jovem e agora nos trintas avisto finalmente a realização :)





03 agosto, 2009

Suspensão sem termo certo

Nada tem mesmo termo incerto na vida.
Este blog cafeinado está cansado e quer mudar de vida.
Talvez Um Café à Chuva.
Ou não.


04 junho, 2009

MPI



- Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas;
- Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade;
- Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente;
- Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.

Assinar Petição<-

Refuntando argumentos do contra...
Factos:
- A igualdade de acesso ao casamento civil não altera o número de pessoas que são gays.
- As pessoas não se torman inférteis por gostarem de pessoas do mesmo sexo! Qualquer pessoa independentemente da orientação sexual pode ter filhos.
- Já há casais gays a educarem crianças, ninguém está à espera da lei para o começar a fazer! Por não estar legislado estas crianças em caso de morte de um dos conjuges pode ser "arrancada" ao outro pai ou mãe.

Assinar Petição<-

02 junho, 2009


Já conhecem a piada do fotógrafo?


(Ainda não foi revelada)


As saudades que eu já tenho da minha alegre casinha tão modesta quanto eu



E que se lixem os Espanhóis e sua falta de modos!
Eu quero a minha casinha
!

27 maio, 2009

Madrid - 2ª saga

Quarto de hotel com varanda para o Palácio Real. Desta vez com a boa companhia do meu colega Diogo, a minha estadia em Madrid desenrola-se entre as viagens num Metro muito organizado e as nossas exclamações de que aqui a vida tem outro preço.
Para os nossos curtos ordenados é tudo caro; estivemos num supermercado a comprar bens essenciais e todos eles mais caros, alguns o dobro. Mas isso para nós, porque para um Espanhol de classe média, com um ordenado em mais do dobro do meu, é tudo uma bagatela!
Ontem fomos à Fnac ver preços de produtos de informática; ou eram o mesmo preço (o que quer dizer que para eles a informática tem um custo cerca de menos 50% do que tem para nós) ou eram mais caros.
Os transportes públicos são mais baratos que em Lisboa, o que significa que para eles é meio tostão andar de metro e etcs...
Não é preciso ser econimista ou contabilista para perceber que o poder de compra em Espanha é muito mais elevado, e é neste ponto que sempre referi que valia a pena pertencer a Espanha - para ter a carteira como a deles.
Mas agora que cá tenho estado não sei se valerá a pena aguentar todas as outras coisas pelo dinheiro....

Ahah


25 maio, 2009

O NetBook Verde - Teclar sem culpas

iUnika Gyy é o primeiro «netbook» livre, solar e biodegradável

Uma dupla de espanhóis apresentou o primeiro computador de software livre, alimentado a energia solar e totalmente biodegradável, e que custará 130 euros.

A “carcaça” do iUnika Gyy é feita com produtos totalmente naturais, como sejam a farinha de milho e a celulose, que se fundiram numa espécie de bioplástico, um material seguro até aos 85 graus centígrados.

O portátil vem com “umas 30 aplicações de software pré-instaladas. Existe um armazém com milhares de programas que podem instalar-se livre e gratuitamente.

O computador que é feito na China com baixos custos de produção, e cujo software é desenvolvido em Madrid, estará à venda em finais do próximo mês de Junho em 15 mil pontos de venda em todo o mundo